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30/12/2025Daniel Monteiro da Silva analisa, em coautoria, casos de violência política de gênero no Rio Grande do Norte e discute como o discurso de ódio compromete a participação feminina e a qualidade da democracia
O integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político ABRADEP Daniel Monteiro da Silva é um dos autores do artigo “Discurso de ódio contra mulheres em disputas eleitorais: uma análise de casos potiguares”, publicado na Revista Brasileira de Filosofia e História RBFH, edição de outubro a dezembro de 2025. O trabalho é assinado em coautoria com Ellen Carolyne Jorge Guedes.
O artigo examina a persistência da violência política de gênero no estado do Rio Grande do Norte, mesmo diante de sua trajetória histórica pioneira na participação feminina na política brasileira. A partir da análise de casos concretos, depoimentos de candidatas, dados estatísticos de observatórios e tribunais, além de pesquisa documental de fontes digitais, o estudo demonstra como o discurso de ódio contra mulheres é mobilizado como estratégia para deslegitimar competências, atacar a vida pessoal e restringir o exercício de direitos políticos.
Os autores apontam que essas práticas não se configuram como episódios isolados, mas como um fenômeno estrutural que fragiliza a igualdade de condições nas disputas eleitorais e afeta diretamente a integridade do processo democrático. O texto destaca que as agressões são majoritariamente motivadas pelo gênero e têm como objetivo central desqualificar a atuação política feminina, reforçando estereótipos e hierarquias de poder historicamente consolidadas.
O estudo também analisa o arcabouço jurídico voltado ao enfrentamento da violência política de gênero, com destaque para a Lei nº 14.192 de 2021, o art. 326 B do Código Eleitoral e o art. 359 P do Código Penal, além dos mecanismos institucionais de denúncia e proteção, como as Ouvidorias da Mulher da Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos. Apesar dos avanços normativos, o artigo evidencia que a responsabilização ainda é limitada, o que contribui para a permanência desse tipo de violência no ambiente eleitoral.
Ao final, o trabalho ressalta a necessidade de fortalecer políticas públicas, aprimorar a atuação institucional e promover mudanças culturais capazes de garantir uma participação política feminina segura, igualitária e efetiva. O enfrentamento ao discurso de ódio, concluem os autores, é condição essencial para a consolidação da democracia representativa e para a ampliação da presença das mulheres nos espaços de poder.




